segunda-feira, outubro 29, 2007


O Beijo - Gustav Klimt, 1907-8
Österreichische Galerie, Vienna

sexta-feira, outubro 26, 2007

PIQUENIQUE NO FRONT

Mais uma experiência teatral, peça de Fernando Arrabal dirigida por nossa querida Adriana Oliveira.
Novamente em novembro..

Foto: Marcos Teischmann

quinta-feira, outubro 11, 2007

Pontos de fuga, linhas quebradas



Nosferatu, de F. Murnau.



O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Weine.

Shadows and Fog, baseado na peça de Woody Allen.

NÃO É QUE EU ACHE QUE O MUNDO TENHA SALVAÇÃO

Me dê um beijo, meu amor
Só eu vejo o mundo com meus olhos
Me dê um beijo, meu amor
Hoje eu tenho cem anos, hoje eu tenho cem anos


E meu coração bate como um pandeiro num samba dobrado
Vou pisando asfalto entre os automóveis
Mesmo o mais sozinho nunca fica só
Sempre haverá um idiota ao redor


Me dê um beijo, meu amor
Os sinais estão fechados
E trago no bolso uns trocados pro café


E o futuro se anuncia num out-door luminoso
Luminoso o futuro se anuncia num out-door


Há tantos reclames pelo céu
Quase tanto quanto nuvens
Um homem grave vende risos
A voz da noite se insinua
E aquele filme não sai da minha cabeça
E aquele filme não sai da minha cabeça


Rumino versos de um velho bardo
Parece fome o que eu sinto
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí
Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí


Há alguns dias atrás vendi minha alma a um velho apache
Não é que eu ache que o mundo tenha salvação


Mas como diria o intrépido cowboy, fitando o bandido indócil
A alma é o segredo, a alma é o segredo
A alma é o segredo do negócio



Oswaldo Goeldi

[Balada do Asfalto. Zeca Baleiro, Baladas de Asfalto.]

sexta-feira, outubro 05, 2007

Eis o melhor e o pior, sem maniqueísmos necessariamente

Era uma daquelas pessoas que não se pode entender ou desvendar o que pensa.
Vez por outra, quando era atingida, costumava silenciar as evidências.
Quase nunca se deixava cair pelo impacto do tiro certeiro, dessa forma, continuava
caminhando. Tomava o cuidado apenas de mudar de roupa, livrando-se assim das
marcas inerentes ao tiro.
Repetia esta ação incansavelmente quando sujeita à condição de vítima.
Com o tempo, as fissuras ignoradas levaram ao estado de apodrecimento.



" Eu vivi uma vida terrível, a maior parte da qual jamais aconteceu." (Mark Twain)


Sobre o poeta escaleno que gosta do Nada:
"É nos desvios que estão as surpresas" (inspirado em um poema de Manuel de Barros)

sábado, setembro 08, 2007

TRILOGIA SUJA - Pedro Juán Gutiérrez

"Me pareceu que muitíssimos anos antes minha alma havia abandonado o meu corpo e agora estava regressando. Podia senti-la invadindo cada cantinho do meu sangue e de minha carne.
Isabel havia se sentado na cama. Esperava por mim. Só de olhar para ela tive uma ereção instantânea. Continuava gostando dessa mulata. No final das contas, que fidelidade posso eu exigir? O mais infiel dos mortais.
Fechei a porta. Nos despimos devagar. Nos abraçamos e nos beijamos. Bem apertados. Meu coração se acelerou e quase derramo uma lágrima. Mas me contive. Não posso chorar na frente dessa bandida. Penetrei- a muito devagar, acariciando-a, e ela já estava úmida e deliciosa. É como entrar no paraíso. Mas também não lhe contei isso. É melhor gostar dela à minha maneira, em silêncio, sem que ela saiba." (p. 295 - EU, O MAIS INFIEL)

"Mas não vou contar essas histórias porque são muito pornográficas. Mesmo que absolutamente reais. A vida é assim. O que mais atrai é o proibido. Uma noite, estamos Isabel e eu muito tranqüilos no meio da brisa noturna de agosto, sentados no Malecón. Em silêncio. Escutando as ondinhas que murmuravam nos recifes da orla, e olhando o céu negro ao longe e o negro mar que se afasta, ou se aproxima. Estamos mergulhados nisso: a escuridão imensa como um abismo a distância, e o cândido rumor da água a nossos pés. De qualquer jeito, estou vazio por dentro e aquele abismo negro e aquele murmúrio das ondas me atravessa de um lado a outro. Não fica dentro de mim. Só me atravessa e segue seu caminho. Mas pelo menos refresca um pouco. Aspiro forte e sinto o frescor daquele mundo imenso me invadindo. Mas a paz não chega. É como uma merenda rápida. Só isso." (p. 320 - O TRIÂNGULO DAS PITONISAS)

FORTALEZA


Foto: Rubens Bias


Minha fortaleza


Minha fortaleza é de


um silêncio infame


Bastando a si mesma,


retendo o derrame


A minha represa


[Chico Buarque/Ruy Guerra - CALABAR]